Tá sobrando 15

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       Foi aí que o Cebolinha se virou e pediu:

            — Ô do PT !!! Traz mais gelo, pô !!!

       No que se virou, percebeu o convite colado no blindex:

            — Ô do PT !!! quequéisso aqui ?!?!?

       Edmundo, formado em Oxford, P.H.D. em Princeton, pós-graduação no Instituto Rio Branco, mandou de volta:

            — Não sabe ler, não ?!?!

       Cebolinha pôs por cima do pau do nariz uma das três cangalhas que traz em riba dos peito, e desfez o mistério:

            — É convite pro casamento do filho do Nori .

       Zéco, seu fiel escudeiro, questionou:

            — Vai ter chopp-e-dança ?

            — Não sei. Aqui só fala em padre-e-missa.

       Mais tarde, já uma boa parte da turma presente, chegou Nori e foi crivado de perguntas:

            — Vai ter comes-e-bebes ?

            — Tu contratou buffet ?

            — Onde que vai ser a boca-livre ?

            — Vai ter Balla-12 ?

            — Vai ser no Encantado ?

       Nori ficou até emocionado com o interesse dos amigos, mas ainda não tinha informação precisa relativa a essa parte tão importante do evento:

            — Quando chegar o dia , eu digo. Cês sabem aquela do gaúcho que foi fazer exame de próstata ?

       Ernesto, o pavio mais curto da Academia Cabofriense de Letras, intuiu o desfecho e chamou Dedé:

            — Vâmo tomar um chopp numa “baraca” lá na praia ? Se eu ficar aqui, eu acabo dando uma “porada” em um !!!

       Na semana seguinte, sob a batuta do Juca, estabeleceu-se qual seria o presente dos pombinhos, digo, nubentes. Um moderno video-cassete !!! Bem, como sempre acontece, houve polêmica entre Cebolinha e Serjão, cada um mais metido a sabe-tudo que o outro. Mas aí o Juca bateu o martelo e decidiu democráticamente :

            — Chega!!! Vai ser um video-cassete , ô cacête ! E de 4 cabeças !

       O encarregado de comprar o video foi o Sir Ney, comandante-em-chefe-vitalício das expedições  putaneiras, digo, pantaneiras. Adquirido o presente, fez-se necessário fazer o “rachid”. Cebolinha, tomou da caneta e começou a anotar os nomes. Depois, numa operação de nível elevadíssimo, intercalada por sedentos pedidos de “Gelo!!! Mais gelo !!!, chegou a um resultado final .

       E aí o Turco perguntou:

            — E quem que vai ser o tesoureiro ?

       Cebolinha não deixou a peteca cair:

            — Deixa comigo !!!

       Nos dias que se seguiram ele não deu trégua a ninguém. Aceitou vale-transporte, ticket-refeição, austral, guarani, pesetas, dólar e o escambáu. Em matéria de cobrador, Deus-te-livre-e-guarde daquele mineirinho, a malha-fina dele não deixa escapar ninguém. No dia de pagar a Sir Ney, Cebolinha informou o borderô:

            — Tá sobrando  R$ 15,00 . Depois a gente bebe esse crédito.

       No Sábado, dia do casório, a turma tava firme no batente:

            — Gelo!!!mais gelo !!!

            — Traz uma caipirinha-com-lima-da-pérsia !!!

            — Uma su-... uma su-... uma su-su-...

            — Sucuri ?

            — A-a-anaconda...

            — Alô, galera !!!

            — E aí, nativo...    

            — Nativo é o apelido da cabeça ...

            — Olha essa boca-suja ...

            — O próximo evento vai ser uma exposição de arte “barôca”...

            — E aí Duca, tudo bom ?

            — Mais ou menos...

            — O Neck não tem aparecido.

            — Dizem que ele tá com pneumonia.

       E foi aí que apareceu o Nori com uma galera que deu uma baixa de respeito no freezer do Edmundo, o que fez o do PT ficar se rindo de quase morder a orelha.

       Mas, na captura de tão sedenta comitiva , não demorou muito, apareceram  as pessoas das patroas deles, munidas de mandato de busca e apreensão.

       Dentre elas sobressaía “Rapunzel”, uma baita de uma loura com uma peitaça de responsa e cada pernão... Cebolinha riscou os zóiazul dele prá riba dos zóio  pidão dela. Vitor , que tem conhecimento de causa em matéria de transporte, aconselhou:

            — Larga de bobagem, é muito peixe prá caber naquela sua Pampa...

       Uma parte da tripulação foi ao casório e aos comes-e-bebes. A outra parte, como de costume,  naufragou antes. Dizem que foi regabofe dos bão, que quem perdeu se arrependeu, babáu...

       Dois dias depois:

            — Tinha Balla-12 à vontade.

            — O Cebolinha tava no comando.

            — Virgem Maria !!! que perigo !!!

            — Ué!?! Me falaram que o Vitor só tomou duas doses.

            — É, mas cada dose tinha 500 ml.

            — E o capitão-de-corveta ? tava lá ?

            — Dizem que todo oficial da marinha...

            — Olha, mexe nisso não, é melhor mudar de assunto...

       E aí , na quarta-feira ocorreu a partilha dos nove-fora-quinze:

            — Cuméquié , Cebolinha ?, e os quinze ?

            — Ô do PT !!!, traz o mapa de fiado !!!

            — Isso não vai dar certo ...

            — Vâmo lá ... Temos 15 dividido por 17, noves-fora-Reynan que só bebe coca, tirante Renato que já bebeu quatro Skol , somando com Vitor que tá no terceiro uisque e pagando mais um, resta duas brahma, vai dois amendoim, uma mariola e um cigarro Yolanda. E ainda sobra R$ 2,50 prá mim que tive essa trabalheira tôda e ainda atuei de barman na festa, não foi Vitor?

            — Me lembro não...

       Dizem que Edmundo mandou comprar um puta computador só prá refazer essa conta. Contratou um especialista em Software mas o cara até agora ainda não conseguiu equacionar variáveis de nível tão elevado...

            — É ruim, hein !!! Ele não vai conseguir, nem por um casal ...

            — Esse Cebolinha, é do cacête...

            — Nessa o do PT dançou...

            — Alô , galera !!!

            — Gelo!!! Traz mais gelo !!!

            — Uma brahm-... uma brahm-... uma brahm-...

            — Brahma?

             — Is... Is... Is... Skol !!! Im… im… imbecil

Cabo Frio, 04 de dezembro de 1999.

Sergio Santa Rita


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