O Santo de Pedra

Voltar

 

Quando a seca em Arraial do Cabo era intensa, o povo do local saía em procissão com São José, pedindo para que chovesse. Havia uma música que os fiéis cantavam, invocando o santo para que os livrasse da seca:

“Pelas vossas chagas, pela vossa cruz, livrai-me da seca,

Oh! Meu bom Jesus, poderoso Senhor imortal,

livrai-me da seca e de todo mal.”

O São José era feito de pedra e, para carregá-lo no andor, a cada instante um dos fiéis era substituído por outro, por causa do peso do santo.

Geralmente ele não participava muito das procissões do lugar, devido a esse problema. Um dia, um festeiro resolveu convidar quatro Josés para carregar o São José: foi a maneira que ele encontrou para fazer a procissão.

Os convidados foram: José Barros, José Alves (Zé de Antonio Alves), José Correia (Zeca Correia) e José dos Santos (Zezé dos Santos). Nessa procissão, também fizeram ladainha e orações pelo fim da guerra.

No Arraial, havia um sujeito conhecido por Galeno que, numa dessas procissões, foi vítima de uma brincadeira que o deixou bastante revoltado com o santo. O povo do lugar, quando descobriu que um dos carregadores do santo de pedra era Galeno, combinou em não substituí-lo no andor durante toda a procissão. E lá se foi o pobre coitado com o santo de pedra nas costas.

A procissão saía da Igreja Nossa Senhora dos Remédios, passava pelo atual centro da cidade, ia à Praia Grande e depois voltava para a Praia dos Anjos.

Naquele tempo, o caminho era todo de areia e com muito mato, e a procissão acontecia debaixo de sol escaldante.

Galeno já não agüentava mais o São José de pedra nos ombros. Olhava para um lado, olhava para outro, e ninguém se oferecia para substituí-lo no andor. Ele agüentou calado, sem pedir auxílio. Todos cantavam uma ladainha durante o penoso percurso:

“Os anjos estão cantando

Os anjos louvados sejam.”

Quando Galeno se aproximou de um grupo de pescadores, um deles gritou:

– Sapo Amarelo!

Era o apelido de Galeno, que ele odiava. Mas a resposta veio em forma de ladainha:

“Os anjos, é o c... da mãe...”

Depois de fazer todo o trajeto da procissão com o santo de pedra no ombro, finalmente Galeno chegou à Igreja Nossa Senhora dos Remédios. Ao colocar a estátua no altar e com os ombros em carne viva, Galeno, numa fúria incontrolável, virou-se para o santo, deu-lhe uma banana e atacou:

– Aqui ó, seu costas de frigideira, nos ombros de Galeno nunca mais!

Por causa de seu peso, o São José nunca mais saiu nas procissões do Arraial, pois ninguém mais se aventurou a carregá-lo


( ! ) Warning: Unknown: write failed: Disk quota exceeded (122) in Unknown on line 0

( ! ) Warning: Unknown: Failed to write session data (files). Please verify that the current setting of session.save_path is correct (/tmp) in Unknown on line 0